TW: abuso sexual. antes de começar devo avisar que esse texto aborda temas pesados, embora seja um texto com conclusões felizes.
nessa vida de kaos eu com certeza não pedi pra nascer. tentar me libertar do fardo da existência já quando eu era criança foi talvez o maior ato que fiz em busca de autonomia: de que vale a minha vida se eu sequer escolhi ter ela?
mas a nossa sociedade só liga pra autonomia dos homens brancos e ricos, é estritamente proibido pra uma criança opinar sobre a própria existência.
existe algo de muito insurrecional em me questionar se gosto de como as pessoas me percebem no espectro de gênero.
a gente tá falando de um corpo que foi abusado por mais de 5 anos em ambiente familiar, um corpo que carrega várias cicatrizes das vezes que eu busquei cessar a dor e que também carrega as várias tatuagens desbotadas das vezes que, em mania, só risquei qualquer coisa no meu braço por não aguentar mais ver tanta cicatriz.
tudo que eu sempre quis foi sentir que tenho agência, que posso decidir quem sou em seus detalhes mais mínimos. eu nego toda vida que foi forçada em mim, vivo feliz pelo simples fato de, pelo menos agora, viver porque tenho vontade, e não porque não consigo me matar ou porque tô seguindo o fluxo que a família e a sociedade me estipulou.
pra sempre transgredir o que tentam nos enfiar guela abaixo, crescer y desobedecer!